sexta-feira, setembro 02, 2011


Encarando nossos Limites, o grande desafio da Proteção Animal

O grande desafio da proteção animal não é o resgate, os cuidados iniciais e intensivos com o animal abandonado, as despesas que são volumosas ou a preocupação e insegurança na hora de encaminhá-lo ao novo lar. Tudo isto é difícil, é trabalhoso, é desgastante, mas a experiência nos ensina como lidar com estas situações e acertar quase sempre.

A partir do momento que você tem a coragem para tentar mudar o mundo, todos os obstáculos que surgem são meros estágios a serem transpostos.

O grande desafio, aquele que faz com que várias pessoas desistam por achar que falharam em sua missão, é saber qual é nosso limite.

Quantos animais eu posso ajudar? Quantos posso ter em casa, sem deixar de levar uma vida “normal” e prazerosa? Quantos animais podem ficar em hotéis ou outros arranjos como lares temporários pagos e dispendiosos? Quantos animais eu posso abrigar e ter certeza que eles viverão bem e tendo tudo o que necessitam, inclusive segurança?

Esta é a grande questão para a qual precisamos ficar sempre atentos: este limite faz a diferença entre a sensação do dever cumprido e a certeza do fracasso.

Não é fácil deixar de ajudar um animal necessitado quando você sabe que talvez esta seja sua única e derradeira chance. Se você não o resgata, se sentirá culpado por ter deixado de agir naquela hora e por não ter salvo mais uma vida e isto faz com que você comece a colocar em cheque sua luta em prol dos animais.

Porém, nesta hora-limite, temos também que pensar nos muitos outros que dependem de nós e que serão prejudicados por esta atitude de querer salvar todos os animais abandonados que aparecem.

Existem aspectos econômicos, físicos, psicológicos e éticos que delimitam nossa ação: quando você está cuidando de 100 animais abandonados, você sabe que não cabe mais um.

Quantas vezes ficamos sabendo de protetores que já não conseguem proporcionar o mínimo necessário à sobrevivência dos animais que estão sob seus cuidados? Quantas vezes a superpopulação acarreta brigas territoriais que terminam em mutilações ou mortes? Quantos animais vivem acorrentados por falta de espaço e de condições mínimas para sua sobrevivência? Quantos morrem de fome ou por doenças que seriam facilmente tratadas?

Quando nos aproximamos deste ponto, temos que reavaliar nosso trabalho e pensar em alternativas para que os animais não sofram em nossas mãos que devem ser as mãos que salvam, não as mãos que punem.

Tenho certeza que a única alternativa viável para combater este problema é a educação: precisamos cada vez mais difundir a posse responsável e a castração como saídas para o abandono e as mortes prematuras. Só pela conscientização das pessoas e também por nossas escolhas políticas conseguiremos mudar este quadro terrível de descaso com a vida que impera em nosso cotidiano.

Temos que ter como meta que todos os animais precisam ser doados já castrados e devemos exigir dos governos campanhas de castração de animais abandonados para que eles não fiquem proliferando pelas ruas.

Precisamos também deixar claro aos que pedem nossa ajuda diariamente, que eles podem fazer algo e não ficar esperando que façamos tudo pelos animais que eles pretendem ajudar. Temos que ensinar como socorrer um animal, como denunciar maus-tratos e ajudar na divulgação de doações que sejam responsáveis e seguras.

Está na hora de agirmos de maneira mais abrangente investindo em educação, comunicação, em posturas políticas a favor dos animais e da vida neste planeta, pois não adianta só salvar o cachorro ou gato que aparece na minha rua. Ele é importante e deve ser ajudado, mas isto não resolve o problema dos animais abandonados no meu bairro ou na minha cidade.

Precisamos nos unir, nós protetores da vida para encontrar soluções a médio e longo prazo, precisamos desta união para ter certeza de nosso tamanho e de nossa força.

Precisamos refletir sobre a proteção animal em busca de um equilíbrio, pois quero poder comemorar quando consigo doar 100 animais em um ano e não ficar com a sensação de que poderia ter feito mais, que não fiz o suficiente ou ainda que falhei na minha missão.

Quero ter certeza que estou fazendo o possível e que posso me sentir realizada por minha luta árdua e diária.

Na verdade, mais do que constatações, estou lançando um apelo e pedindo sugestões, todas elas serão acatadas e bem-vindas.

Talvez, quando tivermos certeza que somos uma força real, e que efetivamente conseguiremos vitórias na luta pelo bem-estar dos animais, possamos nos sentir recompensados e finalmente comemorar.

Maria Augusta Toledo

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1 comentários:

Anônimo disse...

Muito boa reflexão esse texto! Os peludinhos nao tem culpa se nascem na rua, sem abrigo, sem comida e nem agua... e pra pior sempre tem crianças ou até mesmo adultos que os tratam mal. Isso tem que acabar! Quem nunca foi a uma padaria, ou mercado e sempre acaba vendo um caozinho de rua passando fome ou machucado? E essa cena fica na nossa mente. Infelizmente é a realidade.

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